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Os Filhos de Chocadeira

Atualizado: Mai 10

A lúgubre homenagem dos filhos do ódio às mães do Brasil


Por Rachel Ferreira

Na semana em que se comemora o dia das mães, amanhecemos estarrecidos com o atentado numa creche da pacata cidade de Saudades em Santa Catarina - entre as vítimas, bebês com menos de 2 anos. Filhos e filhas de mulheres brasileiras que se reinventam compulsoriamente para seguir sobrevivendo aos descalabros de um país misógino. E esse é apenas o bom dia brasileiro entranhado pela lógica do ódio. No Brasil honesto do Bolsonaro, um vírus pandêmico é aliado e corrobora com sua política genocida e desumana. As mais de 400 mil mortes não são suficientes para demandar responsabilidade, compromisso e recursos para o povo que morre de fome, da violência, da intolerância e do Covid. E isso não é nada para os anseios de uma alma funesta, é preciso armar o próximo, odiar como uma divindade vingativa, temer uma figura mítica e dogmática ao invés de crer na ciência, semear a miséria, a mentira e a discórdia entre semelhantes. No mesmo dia que se inicia a CPI do Covid para apurar o que só não enxerga quem é mau caráter, morre uma ilustre e querida vítima do Brasil de Bolsonaro. O ator Paulo Gustavo, famoso pela personagem Dona Hermínia, adentrou nos lares brasileiros como uma ode à sua mãe Déa Lúcia e cativou muitas famílias com mensagem de amor e aceitação às suas diversas formas, nos transbordou de alegria e esperança de um futuro com mais equidade. Mais triste que a dor de perder um ente querido, é vê-lo partir sabendo que a vacina já existe e está sendo distribuída em doses homeopáticas na lógica de uma mente que atenta contra a humanidade. No governo genocida, mortes são números que conferem uma operação exitosa, quanto mais melhor. Enquanto ainda estávamos achincalhadas por mortes que poderiam ser evitadas, na terra natal da família Bolsonaro, aconteceu a maior chacina que se tem conhecimento na história da cidade do Rio de Janeiro. A milícia empoderada pelo cara da casa de vidro é revestida de legalidade, e mesmo diante da visível discrepância, milicianos são considerados agentes de segurança pública. Os agentes sem qualquer empecilho legal, tingiram as vielas da comunidade de sangue e terror. Na prática, declararam que agora há pena de morte no país. O modelo dicotômico necessário para o bolsonarismo existir, afronta diretamente o que diz respeito ao universo feminino. Como o amor e ódio, vida e morte, equidade e preconceito, justiça e governantes hipócritas. No Brasil de Bolsonaro, das mães são arrancados seus filhos e colocados entre os filhos da lesada e escabrosa pátria. Na nação defasada pelo ódio, não há paz para o amor incondicional, não há espaço para as mulheres e menos ainda para as mães.

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